Quando moça era conhecida como a filha caçula do delegado. O nome dela foi herdado de sua tia que tinha fibra moral, ética e generosidade abundante. Sua mãe era compenetrada, calada, justa, forte e carinhosamente era atendida por Yá. Era sapeca, quase um menino de rua. Os meninos lhe chamavam de girafa por ter uma altura avantajada quando adolescente. Certa vez, a garota misturou as fábulas da literatura infantil. A Alice no País das Maravilhas viu uma maçã da Branca de Neve pela primeira vez na casa da vizinha que obtinha costumes requintados. A vizinha presenteou-a para sua tamanha felicidade, mas mal sabia ela que tamanha seria a bronca para devolvê-la.
Essa menina era a menina dos olhos de seu pai (todos filhos dizem isso). Com bravura de uma mulher maravilha defendia quem estivesse em perigo. Suas irmãs são Mary e Jussara. A primeira é a mais velha, loira, amiga comadre. A segunda é a do meio entre as mulheres, índia, comadre, cúmplice e parceira dos devaneios juvenis. De gênio forte obedecia a seus dois irmãos, era praticamente um clássico carioca. Flamengo X Vasco. Optou por torcer pelo time da cruz maltina por realizar com capricho serviços domésticos para o mano mais velho. Arrumar guarda-roupa, limpar sapatos e afins. Apesar do suborno velado o trocado no fim do mês era certo como dois mais dois são quatro.
A família de Seu Edísio era grande, de fazendeiros, coronéis, boa parte rica e a outra parte boa, pobre. A fazenda Ribeira, dos Vasconcelos, foi palco de momentos vividos com harmonia e doçura que custarão a se apagar. Tio Maneca, tia Joana, tio Carrinho, tio Dioclides, tia Fileta, tia Marieta, tia Ziza, tia Nazinha, primo Samuel. Pelo lado de sua “mamãe” (Maria José), como a chamava respeitosamente a prole, era pequena . Os espetáculos familiares eram apresentados em Ilhéus e no distrito próximo, o de Banco Central. Mãe Nega, Mãe Nenen, os primos Djalma, Edelson, Zé Mildo e as primas Deija, Edinha, Isabel e as do “Inha”: Bezinha, Zelinha, Sinhazinha, Lelinha, Nicinha ufa! Essa patota formava o elenco dos Amorim.
Pelo fim do parágrafo “dois” nem precisa dizer qual parte (financeira) da família a “minina” pertencia. Houve dia que à mesa era servido couro de porco. Mas, as dificuldades se transformaram em coragem e foi nos tempos de escola que ela conheceu sua profissão. Foi observando o ensino que aprendeu a ensinar. A Professora Marleine Estrela destaca-se por se torna uma amiga além da educadora. No primário conhecera amigas como Kita (que viera ser sua cunhada) e Maria Leopoldina. No ginásio veio à turma da pesada e demasiados passeios: Tereza Cristina, Manoel do Carmo, Verinha, Antônio Celito, Luciene, Ronaldo Melo, Adeildes, Iracema. Ao terminar o ginásio mudou-se de cidade e de endereço: São Jorge dos Ilhéus na Avenida 2 de julho sob olhares severos de Dona Honorina. Mas havia baile, o termo de outrora do que hoje conhecemos por balada. Zaíra, Crezilda, Sumaia, Noquinha agitaram sua temporada na cidade da “Gabriela Cravo e Canela”.
Formada em magistério reencontrou Kita que seguiu sua sequência acadêmica. Por questões financeiras ela parou por ali e nunca se queixou por isso. Dessa amizade, confidências e companheirismo nasceu a Escolinha Pingo de Gente que hoje se chama Nossa Senhora da Conceição. Esse colégio tem mais de trinta anos de serviços educacionais prestados. Deixou a escolinha e ingressou no Estado onde edificou amizades rochosas. Darcy Melo, Kátia Virgínia, Regina, Vera Barbosa e Maynard, Sidalva. Entranhado a isso se enlaçou com um jovem “guapo” da sociedade de apelido Toninho onde se tornou uma Sena Gomes creditando vida a três fofas figuras. Martha, Carlos e seu caçula que vos escreve. Esse matrimônio também lhe rendeu uma vasta herança – uma novena de Santo Antônio a cada ano, oferta de caruru no dia 13 de junho, Loura, Leno, Jal, Menandro, Ângela, Dé, Roberto, Judy, Bolinha um sogro e uma sogra feitos pais, diversos sobrinhos, sobrinhos netos e um parentesco um tanto quanto remoto com a estrela baiana Ivete Sangalo. Ah e momentos felizes. Os tristes? Jogastes fora.
A política sempre lhe atraiu desde os causos de “papai”. Assassinato de Vítor, a fuga de Osmário, a vitória de Dr. Moacyr, a cassação de Evandro. Por isso, em 21 de junho de 1955, em ritmo de forró, fogueira, bombas e foguetes ecoou um grito de choro na Rua das Flores, Centro, s/n na cidade de nome estranho. Nas mãos da parteira ela foi erguida enlambuzada de sangue, muita melanina e humildade. Nascia a hoje secretária de assistência social do município de Uruçuca, Alice Ângela Vasconcelos Sena Gomes. Apesar de ESTAR secretária, jamais se furtará de desempenhar seu papel e colaborar com quem precisa fazendo jus a Constituição, prevalecendo o direito de todos e auxiliando a comunidade a entender o que é Ação Social. Sabe por quê? Porque ela sabe da onde veio, que caminho trilhou e nunca se esquecerá, nem sob tortura do All Zaimer, o caminho que seus pais o ensinou.
OBS: Perfil jornalistico de minha mãe Alice Angela Vasconcelos Sena Gomes
Foto: Martha Vasconcelos

corrige o título aí meu brother!
ResponderExcluir"O caminho que meus mais me ENSINARAM"