Babem

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arranjar culpados é bem mais prático


Eu penso que é parcialmente esquizofrênico se posicionar, ou melhor, julgar nossa procedência. Contraditório eu diria, mas vou seguindo com meu devaneio. Percorremos um labirinto sóciocultural descomunal em detrimento de uma sequela incisiva de nascimento. O parto do Brasil foi realizado em péssimas condições de higiene. Fora desempenhado de uma forma feia, suja, sem esteriizações. Os muares portugueses vieram equivocados e equivocaram os seres aqui existentes, os habitantes naturais. Iniciou-se uma balbúrdia cultural "federal". Como pôde efetuar a cesariana ou parto normal que seja desse jeito? Ah, vale lembrar sempre, jeito esse preponderante para o arraso da genuidade da recém-nascida terra.
Portanto, esse "país do futuro e de todos" pintado na atualidade tanto pelo governo quanto pelas empresas privadas suportada pela ávida publicidade canarinho (a das mais premiadas vale sublinhar) está muito distante de vir a se concretizar caso não ocorra uma modificação de "tudo" como prioridade. E que diabos seria esse tal de "tudo"? Calma. Poderia ser: poder reto decisão dos gestores e legisladores, hábitos igualitários à comunidade sem disparidades de quaisquer gêneros aliado ao comportamento ativista comum além da prática dos ideiais humanistas. O que seria a teoria sem a prática? Enfim, uma catequese social uníssona, harmônica. O governo teria seu papel, mas principalmente e, eu falei principalmente a sociedade civil organizada e, eu falei organizada seria um envelope chamex 400 A4, ou seja, carregaria a incubência volumosa de tornar essa premissa possível. Caso inverso, ou melhor, do jeito que se encontra, o tal título futurista e comercial continuará uma demagogia.

Angariar culpados? Longe de mim. É o caminho mais simples por isso é tão acionado. Minha opinião é o que se explica a escravidão (vejam Sinhá Moça), exploração geral, varguismo, ditadura, massacre da Candelária, Collor, PC Farias, anões do orçamento, Lalau, ACM e o painel, FHC e o golpe da reeleição, privatizações, Waldomiro, mensaleiros, sanguessugas, valerioduto, Delúbio, Dirceu, Genoíno, Renan, Arruda, blá, blá, blá...UFA! Onde estava mesmo? Ah sei, o que explicaria...O que explicaria é a patuscada oferecida pelos engenheiros estrangeiros "cabralianos". Aportado pela analogia faço a seguinte indagação: por que o Palace II do Sérgio Nayer ruiu? E a resposta (óbvia) vem à tona: mal feito; pilares de isopor. Aí se explica essa fétida lista acima citada.

Essa aculturação inconsequente causa náuseas e dores de cabeça até hoje. Eu acredito que seja fruto bichado do tataravô do capitalismo: o senhor "Clientelismo Decorrente do Mercantilismo de Melo Rêgo, ora pois"! Essa árvore genealógica perpassa pelo assoreamento de um povo (os índios) ofuscado pela história da carochinha esbranquiçada, fina, suserana onde elegeu Pedro Álvares e sua corja para interpretar Dona Benta e, os índios para dá vida a tia Anastácia. Por quê? Não tinha metodologia melhor a ser adotada? Não poderiam utilizar-se da observação participante? Um esquema de policulturação talvez? Assim cada grupo absolveria o que ambos teriam de melhor disponível sem perder o nato e suas peculiaridades. ÑÃO! Já é pedi demais. Seria muito bom se não fosse utópico e absurdo. Talvez a lista do parágrafo três não existisse, pelo menos desse tamanho (fora os não lembrados no momento). Os politicos fossem como Bonifácio, Romero, Bento, Rui, Tobias, Castro (ao menos á História não os difamam) e as palavras da bandeira verde amarelo, branco e azul anil realmente fosse nosso orgulho.

Contudo e com nada, o meu posicionamento está aberto a modificações caso alguém tenha argumentos eloquentes. Todavia concordo com a corrente que diz que somos passivos, calculistas, mesquinhos, impregnados pela subjetividade de franja e que a dimensão de tarefas é injusta. Vejam bem. Poderes para poucos, loucos, tortos e, deveres para leigos, submissos, excluídos, onde o branco não brando manda, desmanda e debanda e o negro pobre padece, obedece e entristece. Acompanho (como Cristovam Buarque) quem defende revolução civilizatória através da educação. Armas utilizadas seriam as mencionadas no parágrafo dois. Eficazes? Paliativas? O espírito é que vale. A vontade de mudar prevalece. Para os pessimistas o fracasso seria um prato cheio. Porém, não obstante, mesmo insistindo em escapar das minhas mãos, eu agarro com muita força poporiana, baiana, uruçuquense a criança mansa da esperança que se lança alheiamente. Não disse que era um paradoxo esse negócio de se posicionar? Caso impossível essa insurreição? Tenho um palpite bom. Gandhi e Cristo juntos, terraqueos e brasileiros para viabilizar. Não os desmerecendo (quem sou eu) mas eu ainda acredito no ser humano. Vamos acordar? Alguém entendeu alguma coisa? Vixe!



*Texto edificado nos tempos de faculdade e editado na publicação.

  Imagem: Google

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