Babem

terça-feira, 19 de março de 2013

Pão Francês: Nova receita da Bahia

Laís Marques no pandeiro e Brena Gonçalves no baixo

A Bahia é linda! Rapaz... Como a nossa Bahia é babilônica. Cantada em verso e prosa, magna, mágica, enigmática, mística, pioneira. O quê que a baiana tem? Tristeza é senhora... Ai Moreno, atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu e, se Anália não quiser ir eu vou só, vamos! Somos coletivistas, amplos, sagazes como uma baía.

Reconvexo é o timbre da sua voz que diz coisas malucas do maluco beleza. Toca Raul, Ivete. O Cheiro de Tomate faz a gente mercantilizar, trocar, permutar, enfim, um Scambo. Babado Novo: os Novos Baianos, curtindo numa boa, saíram mascando Chiclete junto com Eva e Adão Negro numa Harmonia d’oxum. Eles são Doces Bárbaros. Num é massa meu rei?

É tão massa que nos remete abrir uma partitura e entoar um por um, como se cada um fosse uma nota musical. Dorival, João Gilberto, Simone, Margareth, Daniela, Marcionilo, Tom Zé. Estranho! Não, não é. É Bahia. Mas há quem discorde e caracterize como o lado bom e lado ruim, o que presta e o que não presta, e que o popular esmaga o alternativo.

Falando nisso, tenho certeza, pelo menos um, que nesse momento esteja lendo esse texto se perguntando: e o arrocha?  Sem sombra de dúvidas tem o seu lugar. Falem o que quiserem... Música de gueto, de animação, sem conteúdo, brega, o que seja, mas é genuinamente baiano de Candeias lá de Carola. Esse passeio faz parte do Reino do Dendê como tão bem apelidou Prefeito Netinho, o “estado pai-mãe do Brasil”.

As asas são livres para todos e as partituras também dão lugar ao ritmo, o gingado e os remelexos do arrocha. Nara, Silvano, Trio da Huanna, Pablo. Essa mistura, esse balaio é nosso, nosso cancioneiro que chega por meio da convergência de mídias que objetiva o mercado tornando-o acessível.

Em meio a essa atmosfera exageradamente eclética, muitas das vezes copiadora e, distante da originalidade, surge em terras do cacau do Reino do Dendê, o Pão Francês. Esse projeto faz você sentir aromas dessa baianidade e paladares do nosso cotidiano de maneira singular como o deleite do azeite.

Esse projeto nascido na região sul baiana nos faz incluir no elenco das partituras, acima citado, Brena Gonçalves e Laís Marques. Assistindo ao show dessa dupla, de supetão, surgiram balões como numa revista em quadrinhos pensamentos como: ‘Se a Vanessa da Mata comer esse pão... ’. Show de Bola, os cabelos de ambas já estão na pegada.

Intimista, peculiar, inovador onde se percebe conjunção de influências, encontro de ideias felizes, que ritmadas e “melodiasadas”, completa o sabor fenomenal dessa receita. O foco é o autoral e as meninas estouraram tanto, que desfocaram da mesmice. Em pouco tempo o pão se espalhou como rastilho de pólvora pelas redondezas do Baixo e Extremo Sul. “Delícia”, “gostoso”, “saboroso”, estão sendo palavras do feedback e, o ápice já é. Laís premiada no Festival Internacional de Música do Descobrimento como melhor intérprete.

O arrocha, o axé e o pagode não impediram o sucesso do Pão Francês, muito pelo contrário, disponibilizou aos consumidores opção, emoção e novas canções como “Seu par” que emana o bem querer entre duas pessoas e “Nosso Som de cada dia” que retrata de forma charmosa a vida de cantores de barzinhos. Se joguem. Vamos derrubar as barreiras da resistência. Vamos incentivar esse mosaico musical que é a Bahia. Vamos devorar o Pão Francês. Conheçam e experimentem. https://soundcloud.com/projeto-p-o-franc-s

Alano Sena Gomes

quinta-feira, 7 de março de 2013

Antes Tarde do que Nunca


Crescimento é uma palavra que se encaixa em variados contextos. O Brasil é um país que se encaixa em diversos crescimentos. Mas, crescimento e Brasil não tiveram lá uma boa relação durante o século passado. E nem é preciso recorrer a Freud, os próprios períodos históricos explicam.

Proclamou-se a República, Era Vargas, República Nova, Regime Militar, Nova República. Quando se crescia, algo lhe era furtado. O deleite dos anos dourados ceifou-se com os anos de chumbo. Geladeiras e fogões foram para o beléléu.

Indústria automobilística foi um boom, mas serviu para transportar milicos déspotas, logo em seguida. Sinônimo de pura ironia de avanço. Um milagre Brasileiro surgiu e o Oriente Médio dirimiu. Não havia crescimento crescente (que a redundância nos abençoe) e sim, um semáforo por vida no vermelho, com tempo mínimo de décadas, no país verde e amarelo.

O crescimento retardatário é uma prática corriqueira no país de Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda. Em seus periódicos percebe-se isso. Todavia, a busca incessante por uma nação verdadeiramente igual e justa é como ler Harry Poter e não mais sair de Godric's Hollows.

De leitura somos péssimos e ainda temos o desprazer de se posicionar bem atrás da nossa grande rival Argentina. Los hermanos dão olé em quantidade de livros anuais: 20 a 4. Placar que representa nossa lentidão. Absurdo! A própria Imprensa aterrissou em terras tupiniquins de forma tardia nos idos de 1808, junto com a família fugida real. O Brasil é baiano, mas a naturalidade não foi suficiente para que o desenvolvimento chegasse por aqui primeiro. 


A região sul baiana vive um exemplo. A Terra do Cacau anseia momentos para receber a implantação da UFESBA – Universidade Federal do Sul da Bahia, mesmo que tardiamente. Como o Estado que tem em sua história o título de primeira capital brasileira, pensadores como Castro Alves e Ruy Barbosa e uma região que muito sustentou boa parte da Bahia e incrementou o PIB brasileiro, recebe só agora uma universidade federal?

Bom para profissionalização, acessibilidade, alcance de um ensino gratuito, mas somos sabedores que para colher esses frutos demandará tempo. Podíamos estar muito à frente. Podíamos já estar na colheita por meio do tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão além da UESC. Salve UESC! Há 15 anos tínhamos apenas a UFBA e sem distribuições de pólos. Existe estado que em cada cidade de 150 mil habitantes tem uma universidade como tem um Hiper Bom Preço. Devemos o quê a quem?

O Território Litoral Sul aceita com carinho e satisfação e, principalmente, comemora esse momento tão esperado. Uma universidade é crescimento e a UFESBA não foge à regra. A UFESBA chega à região do cacau nos 45 minutos do segundo tempo como tudo no Brasil.