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| Laís Marques no pandeiro e Brena Gonçalves no baixo |
A Bahia é linda! Rapaz... Como a
nossa Bahia é babilônica. Cantada em verso e prosa, magna, mágica, enigmática, mística,
pioneira. O quê que a baiana tem? Tristeza é senhora... Ai Moreno, atrás do trio elétrico só não vai
quem já morreu e, se Anália não quiser ir eu vou só, vamos! Somos coletivistas,
amplos, sagazes como uma baía.
Reconvexo é o
timbre da sua voz que diz coisas malucas do maluco beleza. Toca Raul, Ivete. O
Cheiro de Tomate faz a gente mercantilizar, trocar, permutar, enfim, um Scambo.
Babado Novo: os Novos Baianos, curtindo numa boa, saíram mascando Chiclete
junto com Eva e Adão Negro numa Harmonia d’oxum. Eles são Doces Bárbaros. Num é
massa meu rei?
É tão massa que
nos remete abrir uma partitura e entoar um por um, como se cada um fosse uma
nota musical. Dorival, João Gilberto, Simone, Margareth, Daniela, Marcionilo,
Tom Zé. Estranho! Não, não é. É Bahia. Mas há quem discorde e caracterize como
o lado bom e lado ruim, o que presta e o que não presta, e que o popular esmaga
o alternativo.
Falando nisso,
tenho certeza, pelo menos um, que nesse momento esteja lendo esse texto se
perguntando: e o arrocha? Sem sombra de
dúvidas tem o seu lugar. Falem o que quiserem... Música de gueto, de animação,
sem conteúdo, brega, o que seja, mas é genuinamente baiano de Candeias lá de
Carola. Esse passeio faz parte do Reino do Dendê como tão bem apelidou Prefeito
Netinho, o “estado pai-mãe do Brasil”.
As asas são
livres para todos e as partituras também dão lugar ao ritmo, o gingado e os remelexos
do arrocha. Nara, Silvano, Trio da Huanna, Pablo. Essa mistura, esse balaio é nosso,
nosso cancioneiro que chega por meio da convergência de mídias que objetiva o
mercado tornando-o acessível.
Em meio a essa
atmosfera exageradamente eclética, muitas das vezes copiadora e, distante da
originalidade, surge em terras do cacau do Reino do Dendê, o Pão Francês. Esse
projeto faz você sentir aromas dessa baianidade e paladares do nosso cotidiano
de maneira singular como o deleite do azeite.
Esse projeto
nascido na região sul baiana nos faz incluir no elenco das partituras, acima
citado, Brena Gonçalves e Laís Marques. Assistindo ao show dessa dupla, de
supetão, surgiram balões como numa revista em quadrinhos pensamentos como: ‘Se a
Vanessa da Mata comer esse pão... ’. Show de Bola, os cabelos de ambas já estão
na pegada.
Intimista,
peculiar, inovador onde se percebe conjunção de influências, encontro de ideias
felizes, que ritmadas e “melodiasadas”, completa o sabor fenomenal dessa
receita. O foco é o autoral e as meninas estouraram tanto, que desfocaram da
mesmice. Em pouco tempo o pão se espalhou como rastilho de pólvora pelas
redondezas do Baixo e Extremo Sul. “Delícia”, “gostoso”, “saboroso”, estão
sendo palavras do feedback e, o ápice
já é. Laís premiada no Festival Internacional de Música do Descobrimento como
melhor intérprete.
O arrocha, o axé
e o pagode não impediram o sucesso do Pão Francês, muito pelo contrário,
disponibilizou aos consumidores opção, emoção e novas canções como “Seu par”
que emana o bem querer entre duas pessoas e “Nosso Som de cada dia” que retrata
de forma charmosa a vida de cantores de barzinhos. Se joguem. Vamos derrubar as
barreiras da resistência. Vamos incentivar esse mosaico musical que é a Bahia.
Vamos devorar o Pão Francês. Conheçam e experimentem. https://soundcloud.com/projeto-p-o-franc-s
Alano Sena Gomes

