Babem

sábado, 22 de maio de 2010

Uruçuca: história e cotidiano

           Engraçado o nome da nossa cidade. Uruçuca! Antes Água Preta devido a água escura que a colore. No tempo dos coronéis a vida foi delineada pelo fruto de ouro que tanto nos deram riquezas: o Theobroma
Cacao. Esse nome cientifico vulgarmente é conhecido como Cacau.  Ele é meio oval de relevo acidentado e de nuances diversas: verde, amarelo, roxo. Ao partir a casca surge gomos de cacau encapusados por um veludo doce coesos a uma raiz saborosamente comível. Impressionante.       
          Essa descrição é para atenuar o quanto foi e ainda é importante pra nós, esse que é uma espécie de identidade pra nosso povo. Infelizmente hoje nos resta só o couro e, por isso a região então ficou conhecida como cacaueira carregando assim adjetivos que aludem a riqueza. Mas, a riqueza e glamuor que Deus queria era a riqueza de espírito e bondade que poucos obtinham. Coronéis esbanjavam seu poder aquisitivo em móveis, terras e imóveis enquanto suas esposas e filhas direcionavam a vestidos, jóias e viagens. Reza a lenda que havia tanto dinheiro que cavalos tomavam duchas de cervejas.
          Nossa cidade de nome engraçado, pertencente a esse território, resolveu mudar do nome genuíno para o jocoso devido a já uma existente homônima no Estado de Pernambuco. Putz perdemos a “parada”  feio e desembocamos em Uruçuca por termos menos tempo de Água Preta. Hoje o que nos remete ao antigo nome é o rio que corta nosso município, o Centro Cultural, as lembranças dos antigos e um time. Meu amigo e primo Dr. Ronaldo Vasconcelos discorda totalmente. Para ele, onde moramos, até hoje, deveria se chamar Água Preta. Ele ainda evidencia uma espécie de perda de identidade, uma vez que a junção da nomeclatura Uruçuca não nos caracteriza e muito menos nos identifica. Jorge Medauar, (grande escritor brasileiro, baiano, uruçuquense, aliás água-pretense) outro conterrâneo ilustre é da mesma teoria. Ele era avesso a essa mistureba de urubu com açúcar porque sempre enalteceu as peripécias do cotidiano da outrora Água Preta.
          O nome Uruçuca advém de urucu (grosso, gordo, abelha grande) e côa ( mato, erva, Mato da Abelha Grande) uma espécie de abelha nativa da região que compõe uma das maiores biodiversidade do mundo.


          Voltemos. Como um assunto puxa outro hein? Se não volto agora ía me parar na Amazônia e olhe que condiz. É Uruçuca e acabou, fato! Doze de dezembro de 1952 emancipou-se tendo Fernando Zaidam como o primeiro gestor. E desde Zaidan Uruçuca sustenta vários apelidos: Cuçuca, Curuçuca, Urucuca, Uçuca, Muçuca e afins. Meus professores e amigos de faculdade sempre zoaram, no bom sentido claro, com minha naturalidade (apesar de ter nascido em Ilhéus). São sergipanos, eu os perdou. Quando zoado sempre respondia: Uruçuca está para Bahia assim como o Sergipe está para o Brasil. Era uma boa resposta, não era? Contudo, como diria meu pai, Uruçuca caminha mesmo com tantas adversidades.
           Meu avô paterno Augusto dizia que Uruçuca era bom no tempo dele, já  meu pai Toninho junto com meu tio Marquinhos dizem que o bom mesmo era no tempo deles. Tenho outro tio chamado Menandro que diz: “O bom é agora, o presente”. De Zaidan a Moacyr Júnior cada um mencionará elogios e críticas de seu tempo.


          Uruçuca tem um nome engraçado assim como seus habitantes. Vou citar alguns da atualidade e deixo os Memecas e Nenéns Queridas para o Dr. Ronaldo. De cima como nessa foto acima, ou mesmo pelo Google Earth observamos Uruçuca efêmera, singela, toda cortadinha similar a um tabuleiro. Em suas ruas e avenidas, praças e parques nota-se figuras folcloricas, pessoas imponentes e sujeitos hilários. Em qualquer lugar que se vá, seja de pé, carro, bicicleta, enfim, avista-se um guapo moreno vaidoso que se veste de mulher e insiste em dizer ter 18 anos sendo que 50 é sua primavera. Um misto de Vera Verão com uma carranca nordestina Cecílio chama a todos de Márcia e dança rumba como ninguém.
          A segunda grande figura folclórica era o  ex-vereador e famoso caçador de corruptos, o bem informado Zé Corujão (in memorian). Ele tinha uma voz grossa e pausada para soltar seus palpites certo nas horas certas. Impagável.
           Nesse hall há uma escalação etílica de primeira. No gol está posicionada a ousada e astuta dona de bar que se defende de tudo e de todos com um instrumento que leva em seu segundo nome, Maria Peixeira (in memorian). Na zaga o repórter da difusora da região, Bolinha, que fala como se fosse um comediante e sempre põe a tampilha a testa quando abre uma cerveja. Nas laterais temos Demorinha e suas fotos na esquerda e Zefinha com sua diplomacia desconcertante, para não dizer o contrário, a direita. O meio de campo fica com Cubano e seu casteliano fajuto, e no ataque Regininha com sua maozinha marcante divide com Bugé junto a sua dicção fabulosa. Esse sim é um time de bebemorar.
          Saindo do vapor etílico ingressamos em sujeitos soltos que enriquecem Uruçuca com suas personalidades. Davaca, Zé de Piu, Bichão, Dona Croiusa, Louco e tantos outros. Esses estão para Uruçuca assim como Zé Café está para Alagoinhas, Iratê para Ilhéus e Zé Américo do Campo do Brito está para Aracaju. Em minha opinião é bom para a cultura local existir figuras folclóricas que constitui a identidade da cidade.
          Qualquer cidade que se preze tem seus costumes, hábitos, leis domésticas evidenciados. Os costumes de cidades pequenas e pacatas é tão cultural como uma roda de capoeira ou um grupo de dança. Eis que Urú não foge a regra graças a seres como esses: Hoje em dia a porta da Igreja Nossa Senhora da Conceição (nossa padroeira) sem D. Nivoleta e  seus convidados soa desfalque. Ela senta com toda pompa da Oprah Winfrey e recebe várias pessoas para papos regados a risadas desfrutando a bucolia que nossa cidade lhes é peculiar. Verônica, Gaguinha, João Maurício, Zazai são alguns dos vips que já sentaram em seu divã.
          Se em umas das cadeiras do bar de Zefinha não estiver Cecílio Argolo à tarde abancado estilo Drumond com suas pernas cruzadas, sério e compenetrado, o lugar não está completo. Ao subir a ladeira do Bêco de Evandro nos deparamos com a Etc e tal aberta e uma mulata cheio dos brios de nome Bernadina em pé chamando clientes e amigos a comprarem em seu estabelecimento. Descendo a Praça Miguel Baracho, passamos pela Praça Xv de Novembro, Travessa Wanderley Fraga e caímos na Praça Régis Pacheco onde possui um busto do mesmo e é palco da irmandade de Sydea por todas as noites. Antes de pegarmos a Rua do Cacau salientamos o Mercado Municipal e sua turma: Alcides Ramos, Barbudo, Ginio da Jabá, Bogoió...
          Pegando a Rua do Cacau pela contra-mão se chega num largo meio encrusilhada que é a união da Av. Ruy Barbosa com a Jorge Zaidan. É nessa coesão de endereços que se avista a locadora de Samuel, assim como, sua resenha cabulosa que até Roberto Paraguay participa. Do outro lado está instalado o point de Monicão. A cada salgado que o cliente adquire recebe um carinhoso sorriso rouco da atendente e, também fica a par dos burburinhos da city através das thuc thuc da Helen, Lorena e Taliane. Unido a essa mulherada sempre dar o ar da graça, muito frequentemente, um pinto loroteiro que tira onda de gatinho.
          Outro lugar emblemático é a Avenida José Serafim de Farias. Montamos num moto táxi do coroa falador mais conhecido como Fí de Carlos Magno, seguimos a Ruy Barbosa e espirramos na Reversa. Para não alongarmos em detalhes a conceituo um congresso de mexericos. Tudo ali é registrado. Singelas senhorinhas disfarçam suas línguas em diplomáticos boas tardes e acenos ard...  
          Uruçuca tem história que até JC duvida. Tem situações frequentes que delineia a rotina da cidade, por exemplo  as cafuas? Não diria ser uma tertúlia porque nem sempre são amigos que se confraternizam por meio de cartas, diria...deixa pra lá.  A mais tradicional é na Banca de Advogacia do Dr. Natanael Pereira. Religiosamente dão o ar da graça indivíduos de nossa society. Dr. Dílson Neves, o troca letras Eraldo Santana, Neto Cabeleireiro, o quase vereador Nau, Zé Dedinho, o turco Tony Kortbany e outros que se abancam na Banca. Outra muito disputada e a do Dica Barril: ex-prefeito e personalidade gozadora a cafua do baixinho é itinerante. Todo dia tem um endereço. Mas a cafua de número residencial certo tem a de Dr. Antônio Manoel, médico, ex-prefeito, (peraí! Mas ex-prefeito já gosta de cafua hein?  Já já vem a de Moacyr) e que reúne anônimos que de certa forma edificam cenários pomposos.
           Na casa de Luisão têm outra, no bairro Anfrísio Goes tem mais três e outras que me fogem a memória. Isso é cotidiano, rotina. Como bem compôs  Chico Buarque em sua canção “Cotidiano”. “Todo dia ela faz tudo sempre igual me sacode às seis horas da manhã...” (escutem, fica a dica). Isso faz com que Uruçuca configure-se singular. Os casos e acasos que Uruçuca nos proporciona são ímpares e, que regam invejavelmente os papos desse cotidiano gostoso. Não é critica e sim exaltação do que considero o cérebro de uma cidade, os habitantes. O livre arbítrio taí pra que esse cotidiano seja validado e exercido. Tem coisa mais dia-a-dia que o ato de comprar pão? Resume-se em claro e bom som e tom o cotidiano. Segue, “... seis da tarde como era de se esperar ela pega e me espera no portão...”.


Foto 1 - Rua Vital Soares na década de 1960
Foto 2 - Vista panorâmica de Uruçuca na década de 1980
Foto 3 Uruçuca fotografada por Fernandes num bimotor em 2002

Texto: Alano Sena Gomes




quinta-feira, 6 de maio de 2010

O caminho que meus pais me ensinaram

Quando moça era conhecida como a filha caçula do delegado. O nome dela foi herdado de sua tia que tinha fibra moral, ética e generosidade abundante. Sua mãe era compenetrada, calada, justa, forte e carinhosamente era atendida por Yá. Era sapeca, quase um menino de rua. Os meninos lhe chamavam de girafa por ter uma altura avantajada quando adolescente. Certa vez, a garota misturou as fábulas da literatura infantil. A Alice no País das Maravilhas viu uma maçã da Branca de Neve pela primeira vez na casa da vizinha que obtinha costumes requintados. A vizinha presenteou-a para sua tamanha felicidade, mas mal sabia ela que tamanha seria a bronca para devolvê-la.

Essa menina era a menina dos olhos de seu pai (todos filhos dizem isso). Com bravura de uma mulher maravilha defendia quem estivesse em perigo. Suas irmãs são Mary e Jussara. A primeira é a mais velha, loira, amiga comadre. A segunda é a do meio entre as mulheres, índia, comadre, cúmplice e parceira dos devaneios juvenis. De gênio forte obedecia a seus dois irmãos, era praticamente um clássico carioca. Flamengo X Vasco. Optou por torcer pelo time da cruz maltina por realizar com capricho serviços domésticos para o mano mais velho. Arrumar guarda-roupa, limpar sapatos e afins. Apesar do suborno velado o trocado no fim do mês era certo como dois mais dois são quatro.

A família de Seu Edísio era grande, de fazendeiros, coronéis, boa parte rica e a outra parte boa, pobre. A fazenda Ribeira, dos Vasconcelos, foi palco de momentos vividos com harmonia e doçura que custarão a se apagar. Tio Maneca, tia Joana, tio Carrinho, tio Dioclides, tia Fileta, tia Marieta, tia Ziza, tia Nazinha, primo Samuel. Pelo lado de sua “mamãe” (Maria José), como a chamava respeitosamente a prole, era pequena . Os espetáculos familiares eram apresentados em Ilhéus e no distrito próximo, o de Banco Central. Mãe Nega, Mãe Nenen, os primos Djalma, Edelson, Zé Mildo e as primas Deija, Edinha, Isabel e as do “Inha”: Bezinha, Zelinha, Sinhazinha, Lelinha, Nicinha ufa! Essa patota formava o elenco dos Amorim.

Pelo fim do parágrafo “dois” nem precisa dizer qual parte (financeira) da família a “minina” pertencia. Houve dia que à mesa era servido couro de porco. Mas, as dificuldades se transformaram em coragem e foi nos tempos de escola que ela conheceu sua profissão. Foi observando o ensino que aprendeu a ensinar. A Professora Marleine Estrela destaca-se por se torna uma amiga além da educadora. No primário conhecera amigas como Kita (que viera ser sua cunhada) e Maria Leopoldina. No ginásio veio à turma da pesada e demasiados passeios: Tereza Cristina, Manoel do Carmo, Verinha, Antônio Celito, Luciene, Ronaldo Melo, Adeildes, Iracema. Ao terminar o ginásio mudou-se de cidade e de endereço: São Jorge dos Ilhéus na Avenida 2 de julho sob olhares severos de Dona Honorina. Mas havia baile, o termo de outrora do que hoje conhecemos por balada. Zaíra, Crezilda, Sumaia, Noquinha agitaram sua temporada na cidade da “Gabriela Cravo e Canela”.

Formada em magistério reencontrou Kita que seguiu sua sequência acadêmica. Por questões financeiras ela parou por ali e nunca se queixou por isso. Dessa amizade, confidências e companheirismo nasceu a Escolinha Pingo de Gente que hoje se chama Nossa Senhora da Conceição. Esse colégio tem mais de trinta anos de serviços educacionais prestados. Deixou a escolinha e ingressou no Estado onde edificou amizades rochosas. Darcy Melo, Kátia Virgínia, Regina, Vera Barbosa e Maynard, Sidalva. Entranhado a isso se enlaçou com um jovem “guapo” da sociedade de apelido Toninho onde se tornou uma Sena Gomes creditando vida a três fofas figuras. Martha, Carlos e seu caçula que vos escreve. Esse matrimônio também lhe rendeu uma vasta herança – uma novena de Santo Antônio a cada ano, oferta de caruru no dia 13 de junho, Loura, Leno, Jal, Menandro, Ângela, Dé, Roberto, Judy, Bolinha um sogro e uma sogra feitos pais, diversos sobrinhos, sobrinhos netos e um parentesco um tanto quanto remoto com a estrela baiana Ivete Sangalo. Ah e momentos felizes. Os tristes? Jogastes fora.

A política sempre lhe atraiu desde os causos de “papai”. Assassinato de Vítor, a fuga de Osmário, a vitória de Dr. Moacyr, a cassação de Evandro. Por isso, em 21 de junho de 1955, em ritmo de forró, fogueira, bombas e foguetes ecoou um grito de choro na Rua das Flores, Centro, s/n na cidade de nome estranho. Nas mãos da parteira ela foi erguida enlambuzada de sangue, muita melanina e humildade. Nascia a hoje secretária de assistência social do município de Uruçuca, Alice Ângela Vasconcelos Sena Gomes. Apesar de ESTAR secretária, jamais se furtará de desempenhar seu papel e colaborar com quem precisa fazendo jus a Constituição, prevalecendo o direito de todos e auxiliando a comunidade a entender o que é Ação Social. Sabe por quê? Porque ela sabe da onde veio, que caminho trilhou e nunca se esquecerá, nem sob tortura do All Zaimer, o caminho que seus pais o ensinou.



OBS: Perfil jornalistico de minha mãe Alice Angela Vasconcelos Sena Gomes

Foto: Martha Vasconcelos

Dormir, ás vezes

          Que mistério! Dormir é um ato que merecia ser um ofício. Mas não é! É impressionante quando à gente dorme, vocês não acham? Ave Maria, eu acho. Fico me perguntando, com uma cara de Pedro Bó, a respeito da excelência do corpo humano esculturado pelo poder divino. Espetáculo! Existem explicações inúmeras que não quero defender e nem atacar. O que quero é Caetanear. Dizem que usamos somente 10% do cérebro. Hum rum, mas tenho certeza que o Caetano usa os 100% (por isso quero é Caetanear) para ser quem é. Claro que ele entende o feito e o efeito de dormir. Acordar é fácil interpretar– sempre existirá em nossas vidas um bendito despertador. O sono se configura ao meu vê um momento de morte com sorte, pois viveremos, ou melhor, acordaremos. É um momento que geram alguns às vezes. Segundo o querido professor Felizola observem. Às vezes dormimos bem e sonhamos com o inusitado: Homens “trepando” com a Carla Perez (quem nunca sonhou com a Carlinha que atire a primeira rebolada) e as mulheres “fazendo amor” com o Thiago Lacerda. Hein? Bom? Às vezes dormimos bem e sonhamos melhor ainda. Ganhar na Mega-Sena...eithaa! Às vezes dormimos mal e sonhamos pior ainda. A sensação de querer correr e não puder é de xingar puta que pariu! Sensação pior do que essa é sonhar com dívidas. Às vezes dormimos bem e temos pesadelos hediondos. Eu mesmo já matei minha professora Deise Dias umas trezentas vezes. E Uchôa? Hai ai! Às vezes dormimos mal e a piranha da insônia vem e PIMBA! Não tem mais sono quiçá sonho. Às vezes dormimos encafifados e com o inconsciente cheio de porcaria, mas ali resolvemos tudo. Doce ilusão! Dá um alívio imediato e infelizmente determinado. A gente acorda e "óia" eles (os problemas) lá nos fitando juntinho do criado mudo. É osso! Às vezes dormimos, sonhamos e quando acordamos era realidade. "Pipi" na cama é o campeão nesse ranking. Ás vezes dormimos bem  não sonhamos nada e acordamos péssimo. Chegue em casa depois de ter “matado” 1 litro de vodka Slova e depois me conte.
          Inveja do sono. Você já sentiu isso? Rapaz eu tenho inveja de três sonos: o de minha mãe, Danilo Goes e o de Maria Letice. Eles são hor concour. Hibernadores natos. A pior inveja é quando a insônia lhe perturba enquanto TODOS dormem o sono suculento dos justos. Não dá vontade de sacudir? Diga aí? Todos dormem menos você. Já passou por isso? Porra 10 vezes! Os 10 vezes do porra é indignação e não quantidade. Às vezes as manias do “só durmo” imperam. Só durmo com TV , rádio, Mp4 ligados. Paraa! Mp4 foi foda. Na era do Ipad 3G e Black Berry o cara me vem com Mp4? Êta cafonice, anacrônico, mas, vamos que vamos. Só durmo depois da meia noite. Só durmo com luz acesa ou do contrário. Só durmo com uma costelinha para me roçar. Só durmo em cama de casal pra eu me abri bem. Só durmo no ar-condicionado ligado, mesmo no inverno. Só durmo com ventilador. Só durmo com dois travesseiros e um tem que ser de pena de ganso. Só durmo com um dos travesseiros entre as pernas. Só durmo com batom boca loca. Só durmo de toca. Só durmo depois que gozar. Só durmo....UFAAA! Chega! Vou terminar. Já deu o que tinha pra dá. Se não eu durmo. Valeu.

OBS:Então, caso já ocorreu isso com você não se desespere, é normal. Sinal que você vive equilibradamente. Será?

Imagem: Google

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arranjar culpados é bem mais prático


Eu penso que é parcialmente esquizofrênico se posicionar, ou melhor, julgar nossa procedência. Contraditório eu diria, mas vou seguindo com meu devaneio. Percorremos um labirinto sóciocultural descomunal em detrimento de uma sequela incisiva de nascimento. O parto do Brasil foi realizado em péssimas condições de higiene. Fora desempenhado de uma forma feia, suja, sem esteriizações. Os muares portugueses vieram equivocados e equivocaram os seres aqui existentes, os habitantes naturais. Iniciou-se uma balbúrdia cultural "federal". Como pôde efetuar a cesariana ou parto normal que seja desse jeito? Ah, vale lembrar sempre, jeito esse preponderante para o arraso da genuidade da recém-nascida terra.
Portanto, esse "país do futuro e de todos" pintado na atualidade tanto pelo governo quanto pelas empresas privadas suportada pela ávida publicidade canarinho (a das mais premiadas vale sublinhar) está muito distante de vir a se concretizar caso não ocorra uma modificação de "tudo" como prioridade. E que diabos seria esse tal de "tudo"? Calma. Poderia ser: poder reto decisão dos gestores e legisladores, hábitos igualitários à comunidade sem disparidades de quaisquer gêneros aliado ao comportamento ativista comum além da prática dos ideiais humanistas. O que seria a teoria sem a prática? Enfim, uma catequese social uníssona, harmônica. O governo teria seu papel, mas principalmente e, eu falei principalmente a sociedade civil organizada e, eu falei organizada seria um envelope chamex 400 A4, ou seja, carregaria a incubência volumosa de tornar essa premissa possível. Caso inverso, ou melhor, do jeito que se encontra, o tal título futurista e comercial continuará uma demagogia.

Angariar culpados? Longe de mim. É o caminho mais simples por isso é tão acionado. Minha opinião é o que se explica a escravidão (vejam Sinhá Moça), exploração geral, varguismo, ditadura, massacre da Candelária, Collor, PC Farias, anões do orçamento, Lalau, ACM e o painel, FHC e o golpe da reeleição, privatizações, Waldomiro, mensaleiros, sanguessugas, valerioduto, Delúbio, Dirceu, Genoíno, Renan, Arruda, blá, blá, blá...UFA! Onde estava mesmo? Ah sei, o que explicaria...O que explicaria é a patuscada oferecida pelos engenheiros estrangeiros "cabralianos". Aportado pela analogia faço a seguinte indagação: por que o Palace II do Sérgio Nayer ruiu? E a resposta (óbvia) vem à tona: mal feito; pilares de isopor. Aí se explica essa fétida lista acima citada.

Essa aculturação inconsequente causa náuseas e dores de cabeça até hoje. Eu acredito que seja fruto bichado do tataravô do capitalismo: o senhor "Clientelismo Decorrente do Mercantilismo de Melo Rêgo, ora pois"! Essa árvore genealógica perpassa pelo assoreamento de um povo (os índios) ofuscado pela história da carochinha esbranquiçada, fina, suserana onde elegeu Pedro Álvares e sua corja para interpretar Dona Benta e, os índios para dá vida a tia Anastácia. Por quê? Não tinha metodologia melhor a ser adotada? Não poderiam utilizar-se da observação participante? Um esquema de policulturação talvez? Assim cada grupo absolveria o que ambos teriam de melhor disponível sem perder o nato e suas peculiaridades. ÑÃO! Já é pedi demais. Seria muito bom se não fosse utópico e absurdo. Talvez a lista do parágrafo três não existisse, pelo menos desse tamanho (fora os não lembrados no momento). Os politicos fossem como Bonifácio, Romero, Bento, Rui, Tobias, Castro (ao menos á História não os difamam) e as palavras da bandeira verde amarelo, branco e azul anil realmente fosse nosso orgulho.

Contudo e com nada, o meu posicionamento está aberto a modificações caso alguém tenha argumentos eloquentes. Todavia concordo com a corrente que diz que somos passivos, calculistas, mesquinhos, impregnados pela subjetividade de franja e que a dimensão de tarefas é injusta. Vejam bem. Poderes para poucos, loucos, tortos e, deveres para leigos, submissos, excluídos, onde o branco não brando manda, desmanda e debanda e o negro pobre padece, obedece e entristece. Acompanho (como Cristovam Buarque) quem defende revolução civilizatória através da educação. Armas utilizadas seriam as mencionadas no parágrafo dois. Eficazes? Paliativas? O espírito é que vale. A vontade de mudar prevalece. Para os pessimistas o fracasso seria um prato cheio. Porém, não obstante, mesmo insistindo em escapar das minhas mãos, eu agarro com muita força poporiana, baiana, uruçuquense a criança mansa da esperança que se lança alheiamente. Não disse que era um paradoxo esse negócio de se posicionar? Caso impossível essa insurreição? Tenho um palpite bom. Gandhi e Cristo juntos, terraqueos e brasileiros para viabilizar. Não os desmerecendo (quem sou eu) mas eu ainda acredito no ser humano. Vamos acordar? Alguém entendeu alguma coisa? Vixe!



*Texto edificado nos tempos de faculdade e editado na publicação.

  Imagem: Google

Por que só agora fiz um blog?

A tecnologia veio para mostrar a capacidade de encurtar distâncias e satisfazer a comodidade. Um blog é um canal de comunicação estupefato. Pode ser utilizado para o bem e para o mal. Só agora fiz um blog, por que só agora vi a necessidade de me expressar e de mostrar o que penso e o que acho. Ah minto. Uma amiga e grande jornalista sergipana, Andreza Motta, também tem seu mérito. Ao me despedi de Aracaju ela em seu blog dedicou um lindo texto a dois de seus amigos de faculdade que por algum motivo estaria se ausentando do cotidiano aracajuano:quem vos escreve e Milton Alves Junior. Tem uns 50% aí pra Dezão. Escolhi esse nome, Manifeste-se, por que foi a única terminologia que me ocorreu no momento. Meio brega, mas que diz muita coisa sem dizer nada. Uma gama de interpretações soam forte. Engraçado! Esse pequeno texto de estreia (até hoje não me conformo com sepultamento do acento de estreia), corrido, pobrinho tem um significado ímpar. Vê uma vontade se configurando. Então vamos lá. Fiz agora um blog porque eu quis.Ahh e Andreza, claro. Fato!